Reciclagem

Era um papel. Branco no topo, onde o sol ainda o alcançava. Cinza na base, que repousava no cimento de uma calçada qualquer. Era um papel, um dia amassado – quem sabe quando? – ao lado de uma lixeira, talvez por descuido de quem o tivesse jogado, talvez pela má índole de quem sabe o que é acertar e não resiste em errar para se provar imperfeito. Mas era um papel.

Poderia ter sido esquecido, como já estava. Poderia ter sido notado apenas como símbolo da falta de ordem que impera no país, e jogado novamente ao abandono da lixeira que, a essa hora, já estava quase por fazer-lhe sombra. Poderia, aliás, antes de atirado ao chão, ter sido qualquer coisa – poema, rascunho, relatório, o vazio. Mas o que ele viria a ser era muito maior do que, quem sabe, talvez tivesse sido um dia: o começo.

Era um papel. Mas passaria a ser o mais importante papel de uma história que começaria com as letras nele escritas e acabaria em letras que nunca mais seriam escritas. Não, ao menos, em um papel.

Porque um curioso notou o papel, o desenrolou e viu o que estava escrito nele: e era um e-mail.

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3 Responses

  1. Voltou! Voltou! 🙂 E espero que essa história não termine.

  2. Fantástico! Sua história causou em mim um sentimento de Déjà vu. Por que será? rs. Lindo, Cauê!

  3. Ah, sem querer aportei aqui. Por querer quis te deixar um recadinho: lindo post. Tava com saudade de ler seus escritos. Saudade de falar com você. beijunhos. 😉

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